quinta-feira, 12 de março de 2026

Rima sobre Rima (ou a Monografia Senil de um Inovador Ultrapassado) - Michel F.M.



Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)

Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.

Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.

Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,
Eufóricos desenfreados, anatomistas.

Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.

Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.

Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.

Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.

Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.

Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos)


domingo, 1 de março de 2026

Ennoê - Michel F.M.


Ennoê

Por fim, não há razões reais,
Que me permitam,
Afastar-me de você.

Para tal, venho por meio desta,
Rebuscada tentativa falha,
Rascunhar em linhas vagas,

Percepções, poéticas consumações,
Que até então, pouco pude compreender.

Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Ennoê, as decisões tomadas
Serão consideradas para esclarecer,

Os aspectos sadios adicionados a mim,
Por estar diante de Ennoê.

Espectros sombrios,
Apaziguados por nossas orações.
Poéticas consumações,
Que permitem, aproximar-me de você. 

Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Poéticas consumações,
Permitem, aproximar-me, Ennoê.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Translações - Michel F.M.


Translações 

Dentre trezentos e sessenta e tantos dias,
Que compõem os anos,
Foi este que escolhemos,
Foi neste que estreamos,
Juntos.

Entre presentes e vestimentas finas,
Roupas íntimas e trajes estranhos,
Nos trajamos na nudez,
Viemos da raiz aos ramos,
Juntos.

Hedonista convicto,
Extremista libertário,
Pretendente insensato,
Contra-o-verso persistente.

Trezentos e sessenta e tantos dias,
Uma volta completa, nossa intersecção.
Ângulos retos, agudos, completos,
Juntos e obtusos, radianos ou não.

Um aspirante a aprendiz,
Vitorioso em fracassos,
Submetido a tuas normas,
De anormais embaraços.

Recolhendo estilhaços,
Contorcionista teu,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal somos pontos de fuga,
Irradiamos proporções em plena vertical,
Desequilíbrio, assimetria e relatividade,
Nossa constituição é desproporcional.

Contorcionista teu,
Recolhendo estilhaços,
Teu trapezista hilário,
Teu tristonho palhaço.

Na linha horizontal somos pontos de fuga,
Nossa constituição é desproporcional.

Abrimos mão do consenso
Sobre a resposta correta,
Trezentos e sessenta e tantos dias
Ou uma volta completa.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Ingredientes Súbitos de uma Receita Improvisada - Michel F.M.


Ingredientes Súbitos
de uma Receita Improvisada

Neste molho encorpado, as essências,
Cumprem ardentes, tua tarefa insistente,
Para com o paladar.

Salpicados destemperos minúsculos,
Num vasto cardápio variado.

Eu não entendo nada de balanços,
Só sei que a medida de nós,
Resultará num montante adequado,
Compenetrante, descalibrado.

Suculentos aperitivos flambados,
Sempre engolidos, jamais degustados.

Servidos assim de repente,
Um banquete em louças prateadas,
Ingredientes súbitos
De uma receita improvisada.

Cristais luminosos, castiçais,
Toalhas em fibras douradas,
Mesa de mogno, brasões entalhados,
Deixados de herança às criaturas noturnas,
Que coabitavam a construção desolada.

A sarjeta não discrimina,
Nos acolhe, nos apadrinha,
Igualmente materna e azinhavrada,
Para com repulsivos, escorraçados.

Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Phannie - Michel F.M.


Phannie

Colhamos inicialmente
As diversidades inexauríveis,
Selecionando especificamente,
Ortodoxo, cálido, arrojado.

Primeiramente saibam,
E atentem-se ao seguinte fato:
O que vem a seguir é irrelevante.

Evitem desabar com cuidado,
Que a queda seja catastrófica
E as perdas se façam fulgurantes.

Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas
E as perdas revelarem-se abundantes.

Em meio a paradas bruscas,
Rolamentos e rasteiras letais,
Redescobrimo-nos vivos.

Indivíduos levemente coletivos,
Estabelecendo persistentes,
Os imprudentes laços vitais.

Em meio a retomadas bruscas,
Robustas rinhas quase irreais,
Reinventamo-nos vivos.

Fulanos severamente atraídos,
Diluindo pertinentes,
Os quase indestrutíveis laços individuais.

Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas,
E as pérolas revelarem-se fulgurantes.

Phannie,
Primeiramente saiba,
Meu último recurso, é dedicado a ti.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

Sedutoras Manobras Impecáveis - Michel F.M.


Sedutoras Manobras Impecáveis

Adentrando ao saguão,
Esmigalhou comentários maldosos,
Fazendo julgamentos destrutivos
Conspirarem a seu favor.

As gesticulações
Do caminhar brigante,
No voejar das mechas,
As risadas satíricas.

Experimentos falhos.
Em si, algo,
Irreproduzível,
Pelo ser impraticável.

As tuas competências
Profundamente instáveis,
São conquistas sedutoras,
Em manobras impecáveis.

Imaculável molde,
Padrão impensável,
A conclusiva panca,
Guiando aprendizados.

Resistência irrompida,
Pelo ser impecável.

As tuas competências
Profundamente instáveis,
Em manobras sedutoras,
São conquistas impecáveis.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

Mestre dos Pretextos - Michel F.M.


Mestre dos Pretextos

Um indivíduo sociável
Em estabilidade pueril.

Não subestime a descrença,
Tudo que decorre é premeditado,
Ainda que subitamente.

Há muito, mas muito tempo,
Cerca de trinta ou quarenta minutos,
A verdade veio à tona,
Necessidade incontrolável
De mentir para ti.

Tem sido assim
Desde Eras imemoriais,
Surtos acalorados
De falsas promessas.

Uma culpa minha,
Particular e exclusiva,
Talento nato, lapidado,
A pedra bruta esculpida.

Então essa conversa fiada,
Contrastou em meus ouvidos afiados,
Combinações de palavras belas, ocas,
Dentes e bocas, um banquete aos canibais.

Comigo não, mademoiselle,
Deixe de amadorismos,
Estás num campo a desbravar,
Onde comandam generais.

Dialoguemos pois,
Frases curtas em longos textos,
Não me venha com desculpas,
Está diante do Mestre dos Pretextos.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)