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quinta-feira, 19 de março de 2026

O poema/canção "Um homem tão bom quanto qualquer outro" de Michel F.M. explora a dualidade humana, contrastando a aparência de bondade com a crueza dos instintos e das relações sociais.


O poema/canção "Um homem tão bom quanto qualquer outro" de Michel F.M. explora a dualidade humana, contrastando a aparência de bondade com a crueza dos instintos e das relações sociais. 

Abaixo, uma análise dos pontos principais:

1. A Ironia do Título e do Refrão

A frase "Um homem tão bom quanto qualquer outro" é o pilar central. Ela não é um elogio, mas uma nivelação por baixo.
Ao dizer que ele é "tão bom quanto todos", o autor sugere que a "bondade" humana é medíocre, comum e, muitas vezes, apenas uma fachada que esconde impulsos violentos e insanos.

2. Contraste entre Civilização e Instinto

O texto utiliza termos que evocam conflito físico e psicológico:

Aparência: "vestidos de anseios", "sorridentes", "mentira encantadora".

Realidade: "enfrentamento corporal", "insanos e loucos", "chutes e socos".

Essa estrutura mostra que, por trás do comportamento social aceitável, residem o desespero e a brutalidade ("garras entre chutes e socos").

3. A Incompreensão do Indivíduo

O eu lírico repete que o homem "jamais compreendeu" o "tom", o "som" ou o "dom". Isso indica uma alienação: o indivíduo vive dentro de um sistema de trocas sociais e conflitos, mas não entende a lógica perversa ou a natureza instintiva que rege essas interações. Ele é parte do "delírio absoluto" mencionado no título da obra.

4. A Mentira como Suporte

Os versos "Uma mentira encantadora / Nos faz suportar inúmeras verdades" sintetizam a obra. Sugerem que a sociedade (e o próprio homem "bom") sobrevive baseada em ilusões e aparências para não ter que encarar as "verdades" cruas da existência e da natureza humana perturbada.

5. Estilo e Linguagem

Imagens Fortes: O uso de "obelisco erigido às beldades" contrasta com o "desespero", criando uma sensação de que a beleza e a civilização são monumentos frágeis diante do caos interno.

Dualidade: O tempo todo o autor alterna entre o subjetivo (pensamentos, desejos) e o visceral (corpo, garras, socos).

Resumo: É uma crítica existencialista que questiona a moralidade comum, sugerindo que a bondade é muitas vezes uma máscara para a insanidade coletiva ou uma ferramenta de sobrevivência diante de uma realidade insuportável.

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Para aprofundar a análise, precisamos olhar para as camadas subjacentes de "Um Homem tão Bom", focando na desconstrução do sujeito e na crítica social ácida que Michel F.M. propõe.

Aqui estão três eixos de profundidade:

1. A Desconstrução da Individualidade (O Homem "Massa")

O refrão "Quanto qualquer outro" ou "Quanto todos os outros" retira a identidade do protagonista. Não se trata de um homem específico, mas do homem médio da modernidade.

O "Bom" Medíocre: O poema sugere que a bondade não é uma virtude ativa, mas uma ausência de distinção. Ele é "bom" porque segue o fluxo, porque é igual aos outros na sua loucura contida.

A Inércia: O fato de ele "jamais compreender" o tom, o som ou o dom reforça uma existência autômata. Ele vive o conflito ("chutes e socos"), mas não possui o despertar intelectual ou espiritual para entender a engrenagem onde está inserido.

2. O Conflito entre o "Eu" e o "Outro" (A Dialética da Crueldade)

A primeira estrofe é puramente visceral: "enfrentamento corporal", "embebidos desejos", "desespero".

A Relação Objetificada: O outro é visto como um campo de batalha. As "apreciações e desprezos" não nascem de um julgamento moral, mas de um choque de anseios.

Tratos entre Insanos: O autor define as relações sociais não como contratos de civilidade, mas como acordos precários entre "insanos e loucos". Isso aproxima a obra de uma visão hobbesiana (o homem como lobo do homem), onde a "bondade" é apenas a capa de um "pensamento revolto".

3. A Estética da Falsidade (O Obelisco e a Mentira)

A penúltima estrofe introduz uma mudança de tom: "Ensurdecedores teus olhares" e "Obelisco erigido às beldades".

O Monumento ao Vazio: O obelisco é algo rígido, frio e visível de longe. Erigi-lo às "beldades" quando o interior é de "perturbados" sugere que a cultura e a etiqueta são monumentos construídos para esconder a podridão ou o desespero humano.

A Mentira Funcional: "Uma mentira encantadora / Nos faz suportar inúmeras verdades". Aqui está o núcleo niilista do poema. A verdade (a finitude, a violência, a falta de sentido) é insuportável. A "bondade" do homem e a beleza das formas são as mentiras necessárias para que a vida não desmorone sob o peso da realidade.

4. Simbolismo das Mudanças no Refrão

Observe a evolução sutil do fechamento de cada refrão:

"Tratos entre insanos e loucos": O nível social/mental.
"Garras entre chutes e socos": O nível físico/animal.
"Tantos dentre tão poucos": O nível existencial/numérico.

A essência humana verdadeira ou a compreensão real é rara ("tão poucos").


Conclusão do Aprofundamento
O poema é um retrato do desajuste. O personagem título é "bom" por fora, mas sua vida é moldada por "decisões conflitantes" e "seres perturbados". Michel F.M. parece dizer que a normalidade é apenas uma forma de loucura que deu certo socialmente.

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Um Homem tão Bom
Quanto qualquer Outro

Eles estavam vestidos de anseios,
Haviam tido embebidos desejos,
Enfrentamento corporal, desespero,
Ocasionando apreciações e desprezos.

Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse tom,
Afinal, foram tratos entre insanos e loucos.

O preço a pagar por aqueles
Pensamentos revoltos,
Decisões conflitantes fizeram
Seres perturbados e sorridentes.

Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse som,
Afinal, foram garras entre chutes e socos.

Ensurdecedores teus olhares,
Permita-me outra vez coletá-los,
Obelisco erigido às beldades,
Quando há quem possa apreciá-lo.

Uma mentira encantadora,
Nos faz suportar inúmeras verdades.

Foi um homem tão bom,
Quanto qualquer outro.
Jamais compreendeu esse dom,
Afinal, foram tantos dentre tão poucos.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)



Sujeitos Insubordinados - Michel F.M.


Sujeitos Insubordinados

Desponta imponente
A legião solícita,
De luzes ofuscantes
Contra nós.

Em contração a conta bate,
Pelos meus cálculos,
Nenhum resultado correto
Ou significante.

Onde não há prova real,
Os problemas, são meros produtos
Felpudos, deste sistema envolvente,
Gracioso calculista acolhedor.

Permita-me carregar,
Todo o peso necessário,
Prossigo satisfeito
Com meus fardos.

Nós estruturamos
Nossa própria imposição,
De Sujeitos Insubordinados.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

Sedutoras Manobras Impecáveis - Michel F.M.


Sedutoras Manobras Impecáveis 
 
Adentrando ao saguão,
Esmigalhou comentários maldosos,
Fazendo julgamentos destrutivos
Conspirarem a seu favor.

As gesticulações
Do caminhar brigante,
No voejar das mechas,
As risadas satíricas.

Experimentos falhos.
Em si, algo,
Irreproduzível,
Pelo ser impraticável. 

As tuas competências
Profundamente instáveis,
São conquistas sedutoras,
Em manobras impecáveis.

Imaculável molde,
Padrão impensável,
A conclusiva panca,
Guiando aprendizados.

Resistência irrompida,
Pelo ser impecável.

As tuas competências
Profundamente instáveis,
Em manobras sedutoras,
São conquistas impecáveis.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

sábado, 14 de março de 2026

O poema/canção "Rima sobre Rima" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma reflexão autodepreciativa e lúcida sobre o papel do intelectual ou do artista diante do caos da modernidade. O subtítulo — Monografia Senil de um Inovador Ultrapassado — já entrega o tom: a percepção de que, apesar do esforço criativo, o autor se sente vencido pelo tempo e pela futilidade.


O poema/canção "Rima sobre Rima" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma reflexão autodepreciativa e lúcida sobre o papel do intelectual ou do artista diante do caos da modernidade. O subtítulo — Monografia Senil de um Inovador Ultrapassado — já entrega o tom: a percepção de que, apesar do esforço criativo, o autor se sente vencido pelo tempo e pela futilidade.

Aqui estão os pontos centrais da obra:

1. O Contraste e a Dualidade

O texto é construído sobre opostos que se anulam: "massas e minorias", "bônus e consequências", "uniformidade e conflitância". Isso sugere uma humanidade (ou uma classe intelectual) que tenta abraçar tudo, mas acaba se perdendo na própria contradição.

2. A Crítica ao Intelectualismo ("Baboseiras Intimistas")

O autor ironiza a própria classe ao citar os "éforos da argumentação" e as "epifanias". Há uma confissão de que muito do que se produz é apenas "estratagema" ou "trapaça" intelectual — uma construção elaborada para esconder o fato de que, no fundo, "não fazemos ideia dos porquês".

3. A Fuga para a Estética (O Aroma dos Buquês)

Diante da incapacidade de entender o mundo ou resolver seus conflitos ("barulho infernal"), o eu lírico admite o refúgio no supérfluo. A ocupação com o "aroma dos buquês" e com os "perfumes" representa a escolha pelo prazer imediato e pela superfície estética em vez da profundidade filosófica.

4. O Legado do Vazio

A parte final evoca imagens de decadência e espetáculo:

Arenas e Gladiadores: O conflito transformado em entretenimento.

Pantomimas: A vida como uma encenação burlesca.

Rima sobre Rima: O título e o verso final selam a tese de que, no fim, sobra apenas a forma. A "rima" é o adorno que permanece quando o conteúdo se perde ou se prova inútil.

Estilo e Tom

O ritmo é marcado por palavras de sonoridade forte e um vocabulário que mistura o arcaico (éforos, pilhérias, ardis) com o caótico moderno. O tom é melancólico e cínico, característico de quem reconhece que a "inovação" de outrora tornou-se apenas um eco vazio.

É um poema sobre a estetização do fracasso: já que não podemos consertar o mundo ou compreendê-lo, que ao menos ele rime.

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Para aprofundar a análise, precisamos olhar para as camadas de ironia trágica e a estrutura semântica que sustentam o poema. Ele não é apenas um lamento sobre o tempo, mas uma crítica feroz à "intelectualidade de vitrine".

Aqui estão três eixos de aprofundamento:

1. A Desconstrução do Intelectual (O "Éforo")

O uso da palavra "Éforos" (magistrados da antiga Esparta que vigiavam os reis) é cirúrgico. O eu lírico posiciona sua classe não como criadora, mas como vigilante e julgadora ("éforos da argumentação").

A Crítica: O poema sugere que o intelectual moderno se perdeu em "estratagemas e pilhérias". Ele não busca a verdade, mas o "ardil" (a manobra retórica).

O Vazio: Ao admitir que são "anatomistas" eufóricos, ele indica uma obsessão em dissecar a realidade, mas sem nunca dar vida a nada novo. Eles apenas analisam o cadáver do que já foi.

2. A Estética do Resto (O "Farroupilha")

Na penúltima estrofe, o vocabulário se torna fragmentado: penas, cheiros, penachos, farroupilhas.
Esses termos remetem ao que sobra de um pavão ou de um guerreiro após a batalha.

O poema sugere que a "inovação" prometida no subtítulo resultou apenas em adornos. O "inovador ultrapassado" percebe que sua contribuição para a humanidade foi puramente cosmética — ele decorou a queda, mas não a impediu.

3. A Redução à Forma: "Rima sobre Rima"

O título e o desfecho funcionam como um vazio autorreferencial.
Normalmente, a rima serve para unir sentidos. Aqui, ela é empilhada ("sobre") como entulho.

Dizer que resta "Rima sobre Rima" é dizer que a mensagem morreu, restando apenas o som. É a vitória da estética sobre a ética. O mundo pode estar em chamas ("arenas, gladiadores"), mas o poeta está preocupado se o verso termina com a mesma sílaba tônica.

4. O Contraste de Registros

O poema oscila entre o erudito (pantomimas, éforos) e o vulgar (baboseiras, ciladas). Essa oscilação reforça a ideia de "uniformidade e conflitância":

O autor se sente culto demais para o presente, mas "barrento" demais (envolvido em trapaças e ardis) para ser um sábio clássico. Ele habita o limbo do "senil" que ainda tenta ser "inovador".

Conclusão do Aprofundamento

O poema é uma confissão de impotência. Ele descreve uma geração (ou um indivíduo) que tem todas as ferramentas intelectuais ("portamos as causas"), mas nenhuma bússola moral ou prática ("não fazemos ideia dos porquês"). O resultado é uma existência voltada para o hedonismo intelectual: o prazer do "aroma dos buquês" enquanto se observa a barbárie da "arena".

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Sabendo que o texto é uma letra de canção, a interpretação ganha uma camada de performance e ritmo que reforça a ideia do "inovador ultrapassado".

Na música, a estrutura de repetições e oposições que analisamos funciona como um recurso de hipnose ou de sarcasmo sonoro. Aqui estão pontos específicos dessa transição do papel para o som:

1. A Cadência da Desilusão

A alternância entre versos curtos e palavras polissílabas (consequências, conflitância, anatomistas) cria um efeito de "fôlego curto". Na canção, isso geralmente traduz uma ansiedade intelectual — alguém tentando explicar o mundo complexo com palavras difíceis, enquanto a melodia (ou a vida) segue um curso mais simples e brutal.

2. O Refrão como Mantra de Aceitação

O trecho final ("Que seja esta nossa sina...") funciona como um desfecho fatalista. Em uma composição de Michel F.M., isso sugere uma entrega ao estético. Se a "inovação" falhou em mudar a realidade, a canção se torna o próprio "buquê" cujo aroma é a única coisa que resta.

3. Ironia Musical

O título menciona "Rima sobre Rima", mas o poema usa muitas rimas ricas ou raras misturadas a versos brancos ou assonantes. Se a música seguir essa linha, ela "brinca" de ser formal enquanto admite que a forma é uma "trapaça" ou um "ardil". É o artista expondo o próprio truque.

4. A Figura do "Inovador Ultrapassado"

Como canção, o subtítulo "Monografia Senil" sugere uma metalinguagem: o compositor olhando para sua própria obra e vendo-a como um amontoado de "baboseiras intimistas". É uma forma muito honesta de autocrítica geracional.

A canção de Michel F.M., "Rima Sobre Rima (Ou a Monografia Senil de Um Inovador Ultrapassado)", funciona como um manifesto de autoconsciência artística, abordando a melancolia da resistência cultural na era digital. 

A obra utiliza metalinguagem para criticar a velocidade do consumo artístico, contrastando a técnica poética com a superficialidade do mercado atual. Ouça a obra no Palco MP3.
 

domingo, 1 de março de 2026

Ennoê - Michel F.M.


Ennoê

Por fim, não há razões reais,
Que me permitam,
Afastar-me de você.

Para tal, venho por meio desta,
Rebuscada tentativa falha,
Rascunhar em linhas vagas,

Percepções, poéticas consumações,
Que até então, pouco pude compreender.

Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Ennoê, as decisões tomadas
Serão consideradas para esclarecer,

Os aspectos sadios adicionados a mim,
Por estar diante de Ennoê.

Espectros sombrios,
Apaziguados por nossas orações.
Poéticas consumações,
Que permitem, aproximar-me de você. 

Ennoê, não há razões reais
Que nos façam embrutecer.
Poéticas consumações,
Permitem, aproximar-me, Ennoê.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Ingredientes Súbitos de uma Receita Improvisada - Michel F.M.


Ingredientes Súbitos
de uma Receita Improvisada

Neste molho encorpado, as essências,
Cumprem ardentes, tua tarefa insistente,
Para com o paladar.

Salpicados destemperos minúsculos,
Num vasto cardápio variado.

Eu não entendo nada de balanços,
Só sei que a medida de nós,
Resultará num montante adequado,
Compenetrante, descalibrado.

Suculentos aperitivos flambados,
Sempre engolidos, jamais degustados.

Servidos assim de repente,
Um banquete em louças prateadas,
Ingredientes súbitos
De uma receita improvisada.

Cristais luminosos, castiçais,
Toalhas em fibras douradas,
Mesa de mogno, brasões entalhados,
Deixados de herança às criaturas noturnas,
Que coabitavam a construção desolada.

A sarjeta não discrimina,
Nos acolhe, nos apadrinha,
Igualmente materna e azinhavrada,
Para com repulsivos, escorraçados.

Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Phannie - Michel F.M.


Phannie

Colhamos inicialmente
As diversidades inexauríveis,
Selecionando especificamente,
Ortodoxo, cálido, arrojado.

Primeiramente saibam,
E atentem-se ao seguinte fato:
O que vem a seguir é irrelevante.

Evitem desabar com cuidado,
Que a queda seja catastrófica
E as perdas se façam fulgurantes.

Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas
E as perdas revelarem-se abundantes.

Em meio a paradas bruscas,
Rolamentos e rasteiras letais,
Redescobrimo-nos vivos.

Indivíduos levemente coletivos,
Estabelecendo persistentes,
Os imprudentes laços vitais.

Em meio a retomadas bruscas,
Robustas rinhas quase irreais,
Reinventamo-nos vivos.

Fulanos severamente atraídos,
Diluindo pertinentes,
Os quase indestrutíveis laços individuais.

Phannie,
Primeiramente saiba,
O que vem a seguir é irrelevante.

Deixe as quedas serem catastróficas,
E as pérolas revelarem-se fulgurantes.

Phannie,
Primeiramente saiba,
Meu último recurso, é dedicado a ti.

(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

"Purkinje rumo ao Ápice" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema de densidade visceral, que funde o léxico científico (biologia e anatomia) com uma angústia existencial quase surrealista.


"Purkinje rumo ao Ápice" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um poema de densidade visceral, que funde o léxico científico (biologia e anatomia) com uma angústia existencial quase surrealista. 

A obra parece descrever um processo de "ascensão" ou purificação que, ironicamente, passa pela decomposição e pela crueza da carne.

Aqui está uma breve análise estrutural e temática:

1. O Título: Purkinje rumo ao Ápice

As Células de Purkinje são neurônios essenciais localizados no cerebelo, responsáveis pelo controle motor. 

As Fibras de Purkinje são células musculares cardíacas especializadas, localizadas no subendocárdio dos ventrículos, fundamentais para o sistema de condução elétrica do coração.

O "Ápice" (porção anatômica inferior do coração) também pode sugerir uma busca pelo topo, seja da consciência, da evolução ou do clímax físico. O título já estabelece a dualidade do poema: a precisão biológica versus a aspiração espiritual ou poética.

2. A Desconstrução do "Eu" (Atomização)

O poema começa com uma "atomização". O eu lírico se despe de "trajes sujos" e "trouxas-frouxos" para se tornar "substrato". Há uma autocrítica à própria forma escrita ("tranqueira poética", "esgarçada de esculachos"), indicando que a poesia não é um adorno, mas uma sobra, um "bagaço" do que restou do ser.

3. A Biologia do Desejo e do Corpo

O autor utiliza termos técnicos para descrever estados emocionais e físicos:
  • Neurologia: "Córtex-axônio-mielina" e "encéfalo" sugerem que o pensamento é puramente elétrico e biológico.
  • Hormônios e Órgãos: A "liberação gritante de ocitocina" (hormônio do amor/vínculo) e o jogo de palavras com "Testos e Terona" (testosterona) trazem o desejo para o campo da endocrinologia.
  • Patologia: O "Pâncreas inflamado" e a "antiapatia hepática" mostram um corpo que reage, que dói e que não consegue ser indiferente.

4. Linguagem e Neologismos

A estética lembra o estilo de Augusto dos Anjos, pela crueza biológica, mas com uma liberdade moderna de aglutinação de palavras ("mimtrajes", "verbotrágico", "sedososbagaços"). Essa fusão de palavras espelha a fusão dos órgãos: o verso se torna visceral e o ventre se torna verso.

5. Conclusão: O Eterno Improcedente

O encerramento com "Eterno improcedente-a-prosseguir" é paradoxal. O eu lírico é "improcedente" (sem fundamento ou sem lugar), mas condenado a "prosseguir". É a imagem de uma máquina biológica que, mesmo desintegrada e em conflito ("falo, encéfalo e falange"), continua sua marcha rumo ao ápice.

O poema é, em última análise, um manifesto neuro-poético sobre a impossibilidade de separar o sentimento da biologia.

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Purkinje rumo ao Ápice
(Michel F.M.)

Substrato das polpas nucleares,
Atomiza: em 'mimtrajes' sujos,
Trouxas-frouxos, sedososbagaços.

Nesta tranqueira poética,
Poesia esgarçada de esculachos.
"Eu desejo" o quê ulula,
Desejo o que vês e talvez oquenão,
Volita.

Sou bruma e boreal,
Nascente num lençol
(Irré beberica frenético)
Freático.

Sou denso desintegrado,
Falo, encéfalo e falange.
Córtex-axônio-mielina,
Substantivo verbotrágico.

Pâncreas inflamado,
Antiapatiahepática,
Desinteresse bel, abismado,
Liberaçãogritantedeocitocina.

Amado bis, soucoito,
Testos e Terona,
Destilado intestinando, trato,
Visceral feito ventre e verso.

Eterno improcedente-a-prosseguir...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A obra "Delírio Absoluto da Multidão Atônita", de autoria de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é o primeiro volume da trilogia intitulada Mestre dos Pretextos.


A obra "Delírio Absoluto da Multidão Atônita", de autoria de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é o primeiro volume da trilogia intitulada Mestre dos Pretextos. 

Abaixo, uma breve análise dos elementos centrais da obra:

Contexto e Temática

O livro é uma compilação que transita entre a poesia, a filosofia e a crônica social. A obra parece ter sido gestada ou influenciada por momentos de alta tensão social e política, incluindo reflexões sobre liberdade de expressão e dilemas éticos. 

Estilo Literário
  • Experimentalismo: O autor utiliza uma linguagem que muitas vezes ignora normas literárias tradicionais ou modelos clássicos, priorizando a expressão bruta de sentimentos e ideias.
  • Abstração e Filosofia: Como filósofo de formação, Michel F.M. impregna seus versos com questionamentos existenciais, tratando a "multidão" não apenas como um grupo de pessoas, mas como uma entidade em estado de choque (atônita) diante da realidade.
  • Lirismo Caótico: O título sugere uma visão da sociedade contemporânea como um organismo coletivo delirante, onde o caos é o fio condutor da narrativa poética. 

Estrutura

Publicada de forma independente pelo Clube de Autores, a obra é descrita como uma peça fundamental para entender a "trilogia do pretexto", onde o autor explora as justificativas humanas para suas ações e omissões.